7 de dezembro de 2012

Uma mulher no vocal da Chave?! Conheça a "fase" Verônica Luhr.


“Foi engraçado, mas também bonito ver esse crescimento da banda de forma muito intensa. Parece incrível, mas diante de tantas fases que A Chave do Sol teve, essa foi uma das que mais curti, exatamente pela profunda esperança que sentia quando esse quarteto se fechou com a entrada da Verônica”.
 

(Luiz Domingues em sua comunidade no orkut).

O título de nosso post com certeza irá chocar muitos, mas sim, A CHAVE DO SOL teve uma mulher como vocalista. Ainda que a "fase Verônica" tenha durado menos de um ano, do fim de 1982 ao começo de 1983, os registros desse momento foram totalmente disponibilizados
recentemente na internet. O texto a seguir foi escrito pelo baixista Luiz Domingues em forma de relato, mediante a perguntas realizadas por MARINHO ROCKER  e MARCÃO no orkut e copilado por Willba Dissidente. Posteriormente (entre junho e julho de 2014), novos fatos e fotos foram adicionados de acordo a autobiografia de Luiz Domingues.

Este post também integra nosso esforço em traçar uma biografia da banda de maneira análoga a que os professores hoje lecionam História: por pontos específicos e não seguindo a linha temporal; por isso já escrevi sobre os anos sem nenhum membro oficial, A CHAVE som sol, e agora abordo os primórdios da banda. Aproveite a viagem e ouça  a música ao final!

ASCENDENDO PARA A PRIMEIRA CRISE: OUTUBRO/1982 À ABRIL/1983.
por Willba Dissidente.

Estávamos em Outubro de 1982, e o guitarrista Rubens Gióia lançou a idéia de que A CHAVE DO SOL precisava de um  frontman. Ele então se lembrou de uma garota que ele havia visto cantando de forma amadora entre 1978 e 1980. No que pese a baixa qualidade do equipamento e o clima "de brincadeira", fortuito, da ocasião, Rubens convenceu os demais membros a fazerem uma audição com essa moça, que dizia ele "impressionava pela beleza física e a fantástica voz".  Loira, olhos azuis, media mais de 1,80 e trabalhava como modelo do estilista Ney Galvão (à época rival de Clodovil). Quando então a garota começou a cantar, ganhou a vaga: "tinha uma voz incrivél, lembrando ETTA JAMES, MAGGIE BELL e TINA TURNER"!



Verônica Luhr com A CHAVE DO SOL no Victoria Pub.
Ela se chamava Verônica Luhr. Era uma moça simples, sem nenhuma sofisticação. De certa forma, seguia a cartilha da maioria das meninas que ingressam nessa carreira de modelo, ou seja, vem de famílias simples dos estados do Sul, principalmente Santa Catarina e Rio Grande do Sul e são descendentes de italianos, alemães ou de pessoas de países do leste europeu.


"Lembro-me que o fizemos de forma artesanal e o copiamos mediante xerox. Ele ficou tosco, grotesco mesmo. Vendo-o hoje em dia, parece algo deliberadamente feito daquela forma, dando-lhe aura  'cool' mas na verdade, era um horror feito nas coxas e de forma muito apressada para suprir a necessidade premente que tínhamos".
Vale ressaltar que nesta época A CHAVE DO SOL ainda tinha um set-list basicamente de covers. Já existia material próprio, que continuava a ser composto.  Por isso não importou que o inglês de Verônica fosse "macarrônico". Não obstante , a banda incluiu "Proud Mary" (CREEDENCE) e "Acid Queen" (THE WHO), ambas na versão TINA TURNER, para que a moça soltasse a voz. Verônica tinha uma afinação excelente, porém nenhuma noção musical, era um talento bruto. "Arranjos, tonalidade, andamento", disso ela nada entendia. Porém, dando-lhe o acorde certo, ela cantava direitinho. Nas palavras do baixista: o vozeirão natural e bom ouvido eram suas melhores características.

“Começou um boca-a-boca na rua, de que havia uma banda muito louca no Devil's, com um guitarrista que tocava JIMI HENDRIX imitando a performance de tocar nas costas e com os dentes do Hendrix; Um baixista alucinado que tocava com um chapéu pontudo de bruxo e uma vocalista doida que cantava muito, mas sempre bêbada, azucrinava no palco...”

O show inicial da nova fase, em 20/11/1982, foi no colégio Manuel de Paiva. A irmã do Rubens, Rosana Gióia, estava junto fazendo os backing vocals. Foi um sucesso. Duzentas e cinquenta pessoas prestigiaram a apresentação, que teve uivos, aplausos e assédio no camarim, sendo a primeira vez que o grupo se apresentou "para uma platéia que não fosse exclusivamente de parentes e amigos". Mais e mais shows foram pintando: "Verônica assumiria uma importância tão grande na banda, que por conta de sua entrada, portas importantes se abririam logo a seguir, conforme esclarecerei logo mais", declarou o baixista no orkut.


Nota no Jornal  Folha da Tarde sobre show no Devil's Bar em 1982.

Nesta época, o circuito roqueiro precorrido pela A CHAVE DO SOL era o Deixa Falar, Água Benta Bar e novíssima casa Devil's, de propriedade de Dona Sabine, na 13 de Maio (Bexiga). Lá a banda fez uma temporada logo após a apresentação no colégio. Esse foi o período mais divertido dessa fase, em princípios de 1983.  Além das dificuldades técnicas, a Verônica apresentava outro empecilho, este mais grave. Para criar aquela coragem extra na hora de subir no palco, ela bebia e assim controlava o nervosismo frenético que a dominava. Não que sua voz fosse prejudicada, mas sua coordenação e trejeitos de palcos saiam avariados e ela falava 'besteiras' ao microfone; que levavam a situações engraçadas recordadas por Luiz Domingues.

"O chapéu foi algo totalmente improvisado. Eu achei-o no quarto de despejo da casa do Rubens, enquanto o arrumávamos para se tornar a nossa sala de ensaios. Devia ser uma peça de alguma festa de fantasia que nem o Rubens se lembrava. Pedi para usá-lo de brincadeira e ficou legal, me lembrava o Ritchie Blackmore naquele promo do DEEP PURPLE...".
Certa vez no Devil's Pub, embriagada, Verônica começou a imitar uma galinha, cacarejando palco! Noutra ocasião, naquela empolgação, ela disse que queria ficar com todos os homens presentes... foi um rebuliço no bar!  Na ocasião, Wagner "Sabbath", amigo que acompanhava a banda e será devidamente abordado no futuro, impediu que um homem escalasse o palco para agarrar a cantora! Teve ainda uma feita em que ela caiu de pernas pra cima após um movimento brusco. 

Porém Verônica não era a única elétrica no palco, já que A CHAVE DO SOL, nunca foi uma banda de ficar parada: Rubens tinha seus momentos hendrixianos, Luiz e Zé Luis extrapolavam no mise-en-scené, sem prejuizo à performance.  O baixista também relembrou que "eram comuns os gracejos masculinos, mas não podíamos evitar essas reações. O Rubens que era mais esquentado, esboçava reagir, mas para não estragar as apresentações, se continha em seu ímpeto protetor". O último show daquele ano de 1982 foi a festa de Reivellon na casa do guitarrista Rubens Gióia; o qual foi mais importante no futuro do que na sua realização. No dia seguinte, o primeiro de 1983, o grupo se apresentou no Café Palheta's, num show de igual importância arqueológica para o futuro.


 Folha de São Paulo Show Água Benta 6 de janeiro de 1983.
As coisa iam de vento em polpa, e A CHAVE DO SOL começou 1983 fechando uma temporada de dois meses no Victória Pub. Nesta casa, se apresentaram promissores nomes da emergente cena rock nacional, inclusive os cariocas do HERVA DOCE (de quem esse que vos escreve é fã), que á época haviam feito a abertura do show do KISS no Rio de Janeiro.  Na primeira noite, nossos amigos tocaram no palco secundário, mas depois passaram a dividir a gig principal com o TUTTI-FRUTTI ou com o FICLE PICLE, dependendo da escala da noite. Tudo estava perfeito e promissor, não?

Passagem de som do último show no Victoria Pub, no qual Verônica não quis tocar.
O cachê era extremamente alto se comparado ao que o grupo estava acostumado até então. Logo na primeira reunião do contrato, o gerente da casa os passou o regulamento do estabelecimento , horário de entrada para a passagem de som, horário de show e os advertiu sobre o cuidado em não falar "palavrões" ao microfone... além de pedir para A CHAVE DO SOL se trajar o menos riponga possível, "ainda bem que não pediu para cortarmos os cabelos", ri o baixista ao relembrar o modo pejorativo como o o proprietário se referiu aos hippies. Outra imposição,  repertório tinha que conter alguns covers conhecidos e não só música autoral, além de que o volume não poderia ser excessivo. A pior de todas restrições era a clausula de exclusividade. A CHAVE DO SOL, enquanto durasse o contrato, estava proibida de agendar shows em outros lugares de São Paulo. Aparentemente, isso não era tão problemático assim; porém quando o contrato não foi renovado, como veremos à seguir, isso geraria perda dos antigos contatos.



Interior e público no Victoria Pub (Alameda Lorena, 1604, São Paulo/SP). 1982 / 1983.

Não obstante tantas proibições, a banda estava mais que feliz pela vitória que era se apresentar no Victoria aquela época. Músicos famosos, modelos, atores consagrados da TV, gente de Teatro e Cinema etc iam regularmente às noitadas no Victoria.  O público era mais playboy do que rocker. Mesmo que demonstrando grande desinteresse pelos grupos, inclusive pelo TUTTI-FRUTTI (que nesta fase fazia mais covers que sons autorais), sempre dançavam e aplaudiam a banda, gerando bem-estar nas apresentações.




A CHAVE DO SOL se apresentava nas noites de terça e quinta-feira. Os shows de grandes bandas do emergente "movimento Rock BR", como BARÃO VERMELHO,  KID ABELHA e outras, aos sábados e sexta-feiras. O power trio paulista nunca assistiu apresentação dos mainstream, porém esperava que a proximidade com os nomes badalados, como que por osmose, acabasse por ajudar a alavancar a carreira d' A CHAVE DO SOL. Os músicos foram assediados por um dito produtor de "New Age", que sugeriu que além de cortarem as madeixas, Rubens e Luiz pintassem cada um o cabelo de uma cor. Em outra feita, Zé Luis se desentendeu com o baterista do TUTTI-FRUTTI, após este  ter um repente de estrelismo. 


Contato com os grandes  é assim mesmo...  porém, a escalada feita continha o germe da queda...

Em relação ao FICLE PICLE, este grupo tinha em sua formação os futuros GOLPE DE ESTADO Nelson Brito e Paulo Zinner. Logo formou-se um forte vinculo entre os membros das duas bandas. Muitos discos do GOLPE DE ESTADO tem agradecimentos a Luiz Domingues no encarte, pela ajuda e auxílio deste à banda. Porém, no primeiro contato foi o baixista Nelson Brito que ajudou Domingues. "O fato é que eu estava sem amplificador nessa época e usei o amplificador do Nelson nessas apresentações no Victoria (...)  mal havia me conhecido e disponibilizou seu equipamento, numa gentileza que selou nossa amizade, de forma instantânea".


Fachada do Victoria Pub. Por volta de 1982, 1983. Fonte: Internet livre.
O único show que a banda fez fora do Victoria Pub nessa época foi numa festa da Rede Globo. Tratava-se da comemoração pelo encerramento da mini série "Bandidos da Falange". Do programa, que abordava o submundo do crime no Rio de Janeiro", estavam presentes toda a equipe técnica, diretores e atores. Gente como Betty Faria, Roberto Bonfim, Gracindo Júnior e Júlia Lemmertz se esbaldaram e dançaram ao show d' A CHAVE DO SOL.

Ao final da temporada no Pub, a banda percebeu que a vocalista mudara de atitude para com eles. Passava a evitá-los no pós-shows, chegava atrasada nos ensaios e todas as noites. Uma conversa aconteceu. O consenso se fez que era uma fase pessoal,  talvez timidez por estar agora tocando num lugar badalado, com equipamento melhor, pessoas famosas circulando pela casa , quem poderia saber? Pouco antes, houve um acidente no palco durante a canção "O Contrário de Nada é Nada", d'OS MUTANTES e por descuido do baixista, a vocalista foi acertada pela mão (headstoke) do instrumento de quatro cordas. O sabido é que moça outra dócil, agora se despedia secamente ao fim dos shows...



Zé Luis Dinola levou à sério a recomendação do dono do Victoria Pub que A CHAVE DO SOL não deveria usar visual "hipongo".
Luiz, Rubens e Zé Luis se surpreenderam quando Verônica os comunicou que doravnte, seu cachê viria separado do grupo, conforme ela já havia combinado com o diretor do Pub. "A verdade é que haviam feito a cabeça dela para cumprir aqueles shows contratados e se livrar de nós, partindo para uma carreira solo, com disco garantido, uma nova banda contratada e ela como estrela. Inebriada por esses sonhos, passou a nos hostilizar, dando como certa a sua aventura meteórica de sucesso mainstream. Só fomos perceber a real motivação quando já era tarde demais e então ela revelou seus planos referentes à sua carreira pós-A CHAVE DO SOL" relatou o baixista no orkut. 


“Sendo assim, quando acabou o contrato com o Victoria, ela saiu da Chave do Sol e nós ficamos sem perspectivas imediatas, pois todo o embalo maravilhoso que havíamos pego desde outubro de 1982, foi para o ralo, pois estávamos sem outras datas e tendo que procurar às pressas um novo vocalista ou voltarmos ao formato de Power Trio, tendo que reestruturar todo o repertório para o Rubens ou o Zé Luis cantarem. Isso sem contar o prejuízo em perder uma vocalista do potencial sensacional que ela tinha. Se tivéssemos prosseguido e com a sorte de arrumarmos um produtor...”
 

Verônica alegou um resfriado e não compareceu no último show. Além dessa, o grupo ainda teve a desagradável notícia que seu contrato no Victoria Pub não seria renovado. Estávamos em abril de 1983 e A CHAVE DO SOL entrava em sua primeira curva descendente. Viriam três meses de aspereza pela frente, antes que altos da banda voltassem a sobrepujar os baixos...

Rubens arrasando nos trejeitos hendrixianos no Victoria Pub em começo de 1983.
"Que eu saiba, não aconteceu absolutamente nada com a Verônica nessa suposta carreira solo com disco , gravadora e esquema empresarial. Posso estar errado, mas nem disco ela gravou. Tive a informação, mais ou menos em 1985, de que ela havia se casado com o guitarrista Jean, da banda PERFORMÁTICA do Aguilar, o artista plástico/compositor . E parece que teve dois filhos com ele e morava no interior de São Paulo (Jundiaí, se não me engano)", resgata o baixista. Ele continua, afirmando que só em 1991 que ele foi ter outra informação da Verônica: "a vi no programa do Clodovil, na TV Gazeta, se apresentando acompanhada de uma orquestra, no teatro de arame de Curitiba. Era um tema bem careta, com arranjo cafona, mas ela cantou bem".

Foram períodos dificeis quando a vocalista se desligou do grupo e com isso os tirou de uma das melhores casas de show da época.  Mágoas, ressentimentos ou similares? Não.  "A despeito dessas trapalhadas que ela aprontava por estar embriagada, cantava como uma Diva do Soul, Blues e Rock'n'Roll", o baixista não receia em dizer.  Luiz, ainda pondera e não poupa elogios à cantora de vida curta em sua banda, confira abaixo:


"A Verônica esmagaria impiedosamente cantoras dessa cena que estouraram, como Paula Toller, Virginie e Dulce Quental entre outras e só encontraria uma rival à altura na Cássia Eller. Por outro lado, estávamos em 1982 e a Cássia só estourou no meio/fim dos anos noventa, portanto, era outra geração".




No Victoria Pub,  A CHAVE DO SOL tocou nos dias 1º, 2, 3, 9, 10, 17 e 23 de fevereiro de 1983, com públicos respectivos de 70, 120, 150, 200, 300, 170 e 250 pessoas ("nos assistindo, mas não refletindo o número de pessoas dentro da casa, pois eram muitos os ambientes e as pessoas se espalhavam"). Em março de 1983, tocamos nos dias 2, 9, 10, 15, 22 e 29, com público respectivo de 200, 250, 200, 300, 20 e 15 pessoas nos assistindo. O derradeiro show, ocorreu em 6 de abril de 1983, sem a presença da Verônica Luhr, com melancólico público de apenas 10 pessoas na plateia.

Encerrando este capítulo,  existe só uma gravação d' A CHAVE DO SOL  com Verônica Luhr nos vocais.



A gravação da mesma se deu de maneira inusitada. No show de 31/12/1982,  de última hora, Rubens pegou uma fita gravada no seu carro. Espetou-se então um tape-deck caseiro na mesa do P.A. Gianinni com a referida fita K7. Do lado A gravou-se esse show, do lado B, o do Café Palheta's do dia seguinte. Com muita microfonia e sem possibilidade posterior de edição, o K7 ficou guardado por 30 anos, gerando muito trabalho para ser recuperado. Para complicar, o amigo que operou o tapedeck (que ninguém lembra quem foi) teve a ideia de ir picotando as músicas (na boa intenção de registrar um pedaço de cada música, dado a pouca duração de fita; a saber, 30 minutos cada lado ), assim, não há gravação completa d' A CHAVE DO SOL com a Verônica Luhr nos vocais.


"Das apresentações humildes na clandestinidade do underground, subindo degrau a degrau, com a vontade como única aliada, e tendo sangue, suor e lágrimas como marcas da labuta".
Luiz Domingues.

Em 2012, o site Orra Meu conseguiu vencer essa batalha contra a "Deterioração temporal do K-7", possibilitando aos fãs poderem ouvir a Verônica ao ler a impressionante passagem dela pela A CHAVE DO SOL. Três meses de dificuldades se seguiram. Aguarde nosso próximo capítulo!

4 comentários:

  1. Respostas
    1. Muito contente com sua manifestação, Lourdes.

      De fato, o potencial da Verônica era enorme. Como pedra bruta, quando lapidada, certamente se tornaria um diamante. Pena que a ludibriaram e ela embarcou na lábia de golpistas.

      Grande abraço !

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  2. Saudações Lounew!
    Obrigado pela visita e o comentário. Realmente essa formação potêncial para fazer algo bonito e original.
    Abraços!
    *

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  3. Will, meu amigo !

    Que prazer para mim ler seu texto que traz como base o meu próprio, mas promovendo vários adendos criativos e estabelecendo assim, a oportunidade dos admiradores do trabalho da Chave do Sol, terem ainda mais elementos para compreender a história da banda.

    Meu muito obrigado !!

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