Distorção! é um programa de rádio que abrange
todas as vertentes da música pesada, indo do hard rock ao black metal,
passando pelo heavy, thrash, hardcore e tudo que for rock'n'roll
distorcido. Atuando de maneira diferenciada e sem restrições, o
Distorção! quer combater a desvalorização, a banalização e o preconceito
que o gênero barulhento vêm sofrendo pela mídia comercial.
O progama surgiu na rádio Comunitária "Cidadã
FM", no bairro São Cristóvão, em Pouso Alegre, Sul de Minas Gerais.
Sempre priorizando o underground, o Distorção! passou também a ser
on-line, transmitindo ao vivo para universo conhecido pelo link:
Sempre aos sábados, das 14:00 às 16:00, a
edição de 18 de maio de 2013, contará com a presença de músicas do pioneiro grupo pauista de hard rock A CHAVE DO SOL no "Bloco do
Wilson", espaço recém-inaugurado com dicas do headbanger Willba
Dissidente.
Posteriormente, será divulgado um link com a
gravação do programa. Lembramos que os ouvintes estão convidados a
participar pedindo músicas pela página do Distorção! no facebook, ou
pelo telefone (35) 3425 6376.
Não percam!
O Distorção! tem criação, apresentação e
locução de Mateus Vitorio, 18 anos, estudante de Publicidade e
Propaganda na UNIVÁS (Pouso Alegre/MG).
Serviço:
A CHAVE DO SOL no Programa Distorção!
Sábado, 18 de maio de 2013.
Das 14:00 às 16:00, durante o "Bloco do Wilson".
Se o programa atrasar para começar é porque ele vai até mais tarde!
A CHAVE DO SOL na época da segunda demo de 1986, foto tirada às cercanias do Jardim Lusitano em São Paulo/SP.
Comum compacto e um EP lançado, A CHAVE DO SOL, quase completando um ano desde sua última mudança de formação, começou a preparar outro material que pudesse projetar o som e a levar a outros níveis de popularidade. A cada disco que saia, a banda fletava com outro estilo musical, dentro de seu Hard Rock característico; fruto das influências desenvolvidas pelo núcleo básico de Rubens Gióia, Luiz Domingues e Zé Luis Dinola, acrescidas das trazidas pelos músicos que passaram a fazer parte da banda. Se a primeira demo-tape que o grupo lançou em 1986 (já disponibilizada no blog) fazia quase que uma ponte perfeita entre o EP gravado com o vocalista Fran e o LP "The Key", nessa segunda fita, a sonoridade deste último disco se faz ainda mais marcante.
Além do som passar a fletar mais com um estilo de Hard Rock mais radiofônico, exceto pela faixa de abertura, que é bem acelerada, nota-se que o vocalista/guitarrista Beto Cruz passa a prevalecer como compositor em todas as faixas da demo; sendo que algumas não foram escritas por nenhum dos membros-fundadores. Apenas duas músicas inéditas compunham a demo, "Trago Você em meu coração" e "Desiluções"; "O que será de todas as crianças", "Saudade", "Solange" e "Sun City" já estavam na demo registrada em abril do mesmo ano.
Teria a banda acertado então na escolha de regravar esses temas? Eu acredito que sim. A qualidade sonora, proporcionada por mais tempo para gravar e num estúdio com mais canais, resultou num material mais coeso, trabalhado e, de toda maneira, mais agradável de se ouvir. Ainda assim, faço a ressalva que a qualidade da fita não é a de um disco oficial. Muitos erros foram concertados, porém em alguns momentos, à guisa de exemplo, a voz está alta demais em relação aos outros instrumentos, o que enfatiza uma eventual desafinada do cantor. Percebe-se, não obstante a bagagem musical dos membros d' A CHAVE DO SOL, o quão fundamental a figura de um produtor, fosse ele o Luiz Calanca ou o Edu Bianchi, para aparar "aquelas arestas" era.
De todas as canções, somente o sucesso "Sun City" foi registrada oficialmente no LP "The Key". A versão dessa demo é mais parecida com a que ficou mais marcada na memória dos fãs. Nesse sentido, faço parenteses em relação a bateria. Essa demo representa o último "disco completo" gravado pelo membro original Zé Luis Dinola (exceto pela música "Lírio de um pantanal" no "The Key"), que só voltaria a ter registros de estúdio ano passado ao se juntar ao VIOLETA DE OUTONO, então a audição da fita nos proporciona um última contato com suas impressionantes levadas na seção ritmica. Claro que o Ivan Busic, ex-PLATINA e futuro DR. SIN, que o substituiu, é um grande músico, porém de outra escola do rock pesado. As duas músicas novas são mais "leves" em relação aos trabalhos anteriores, evidenciando outra vez a banda que se esforçava por acompanhar as mudanças no cenârio musical. Esse também foi o último material completo d' A CHAVE DO SOL inteiramente cantando em português. Lembro que a última faixa, "Solange", é na verdade um cover da banda ZENITH, da qual o Beto Cruz fez parte, sendo composto em parceria com o guitarrista Dé Vasconcelos.
O resultado final é altamente satisfatório. Após quase 27 anos de sua gravação, cada uma das canções se mantém firme. Ainda que o grupo seguisse um rumo que a distanciasse do Heavy Metal da época, muitos headbangers continuaram a seguir A CHAVE DO SOL, engrossando a fileira dos fiéis fãs da banda. Esse registro é como uma viagem ao bom rock pesado em português de 1986. Não deixe de pegar sua passagem!
Abaixo de cada música, os comentários precisos do baixista Luiz Domingues.
Demo-tape gravada pela banda em outubro de 1986, no estúdio V, em São Paulo. Técnico de som: Rui.
Rubens Gióia - Guitarra e voz
Luiz Domingues - Baixo
Roberto Cruz - Voz
José Luis Dinola - Bateria 01 . O que será de todas as crianças? (Gióia/Cruz) 04:15
"Esta versão é praticamente igual à da demo-tape anterior que gravamos no
mes de abril, do mesmo ano, 1986. Diferenças sutis no solo do Rubens,
uma ou outra frase de baixo e alguma virada de bateria, pode ser, mas
não existe diferença radical no arranjo".
02 . Saudade (Gióia/Cruz) 04:44
"O grande diferencial dessa versão em relação à gravada na demo-tape
anterior, de abril de 1986, realmente se dá na introdução da canção,
onde o nosso guitarrista Rubens Gióia criou um fraseado que gravou em
duo, abrindo duas vozes na guitarra. No mais, o arranjo é semelhante e
as diferenças mais sutis no campo do audio, baseiam-se na questão de
ter sido gravada em 16 canais, num estúdio melhor, com mais tempo de
trabalho etc etc".
03 . Trago você em meu coração (Gióia/Cruz/Domingues) 04:30
"Mais uma balada com apêlo Hard-Rock oitentista e com letra romântica do Beto, descrevendo sentimentos de amor. Não é um primor de audio, pois se trata de uma fita demo e tem a
agravante de ter ficado armazenada numa fita K7 por muitos anos, mas é
importante, mesmo com essa ressalva, para os fãs do trabalho".
04 . Sun City (Gióia/Cruz) 04:29
"Nesta versão de "Sun City", a grande diferença é a economia de
repetições do refrão nas partes 1 e 2, o que prevaleceu como arranjo,
quando ela foi gravada oficialmente para o LP The Key, em 1987". 05 . Desilusões (Cruz) 03:23
"Essa balada do Beto foi gravada na segunda demo-tape que gravamos no ano
de 1986. Mais uma vez com letra "romântica", tinha uma intenção POP,
naturalmente. Ficou engavetada desde então, armazenada numa fita K7,
sendo a única versão de estúdio. Nunca foi gravada em disco oficial,
posteriormente. Parabéns ao Site Orra Meu por mais um resgate inédito"!!
06 . Solange (Vasconcelos/Cruz) 04:03
"Nesta versão, não existem modificações radicais no arranjo da música, em
relação à primeira versão gravada em abril de 1986. Somente o audio
tem mais qualidade, por ter sido gravada num estúdio de 16 canais. O Beto fez os solos".
Willba Dissidente, por meio do blog: A CHAVE DO SOL, agradece ao amigo e baixista Luiz Domingues e ao portal Orra Meu (http://orrameu.com) por proporcionarem esse tesouro aos fãs da banda!
Uma caracterísitica comum aos fãs de rock é não somente ouvir a música, mas ler e absorver todas as informações contidas nas capas e encartes de seus LP's e CD's. Quem, assim como eu, mantém esse habito, ira se deparar com muitas informações importantes e até surpreendentes. No caso do segundo disco d'A CHAVE DO SOL, o ouvinte ira encontrar um nome da coautoria das músicas "Ufos" e "Segredos".
Esse nome é Julio Revorêdo, poeta e personagem fundamental na trajetória da banda.
Nascido em São Paulo, capital, no bairro do Paraiso, em 1959, Julio Revorêdo Peres, é um poeta que já trabalhou, além d' A CHAVE DO SOL, com as bandas PATRULHA DO ESPAÇO e SIDHARTA. Revorêdo é bibliotecário de formação e sua produção poética é mais orientada pelo cinema fantástico de David Lynch, Stanley Kubrick, passando por Glauber Rocha e indo até as produções cult do 'mestre do filme B' Roger Corman; além de ser fã de atores carismáticos como Dennis Hopper, Daniel Day Lewis, Roddy MacDowall, Montgomery Clift, Barbara Hershey e James Dean. Em se tratando de rock,o poeta tem preferência pelo peso sessentista dos ingleses do CREAM e da carreira solo de ERIC CLAPTON, além de, é claro, OS MUTANTES.
Além da composição das músicas citadas (e outras que não entraram no disco) e ajudar na produção de palco, foi Julio Revorêdo que indicou o vocalista Fran para se juntar à A CHAVE DO SOL. Esse e outros assuntos relevantes estavam na pauta do bate-papo que o nosso blog teve com o artista. Confira abaixo!
"ROCK PESADO E POESIA SEM CONTRADIÇÕES" por Willba Dissidente.
01 . Julio Revoredo, todos os fãs d' A CHAVE DO SOL que tenho contato só
conhecem pelos créditos do LP de 1985. Peço, então, como primeira
pergunta, que você se apresente enquanto poeta para os leitores do blog.
Qual sua formação? Período literário favorito, principais influências e
qual obra você considera fundamental à sua carreira?
Julio: Como poeta, minhas principais influências são Castro Alves, Pablo Picasso (que também se dedicava à poesia), Luis Sergio Person, James Joyce, Walter Hugo Khouri, Francis Bacon, Robert Sordello Browning, os Concretistas (movimento literário) , Cassiano Ricardo, Salvador Dali (pintor do surrealismo, que trabalhou até com ALICE COOPER), Jackson Pollock (pintor do movimento do expressionismo abstrato), Beat Generation, além dos cineastras e atores já citadados. O período literário que mais me apetece é o Modernismo e a obra que considero fundamental é Finnegans Wake, de James Joyce.
02 . Lembro que quando cursei Ciências Sociais de ter feito amizade com o
pessoal da Letras, prédio ao lado, e alguns desses amigos se dedicavam à
poesia. Destes, a maioria era avesso ao "Rock Pesado", por, em geral, o
achar "enlatado" e "americanizado"; ainda quando cantado em português.
Em contrapartida, os fãs de rock, em especial o pessoal do Heavy Metal,
não demonstram, idealmente falando, apreço por poesia. Como foi
conciliar então ser um poeta na efervecente cena underground paulista de
início da década de 80?
Julio: Eu gosto de poesia e de rock pesado,e sinceramente nunca pensei sobre essas antípodas.
03 . Como começou seu envolvimento com A CHAVE DO SOL? Desde que época
você acompanhou a banda? Como você via o grupo, que tocava um som na
linha clássica do jazz-rock, hard rock, num cenârio que voltado, quase
que exclusivamente ao Heavy Metal? Em boas palavras: A CHAVE DO SOL se
misturava bem à época e local, junto a nomes como SALÁRIO MÍNIMO,
CENTÚRIAS, AZUL LIMÃO e o outros grupos, hoje clássicos do som pesado
nacional?
Julio: O meu envolvimento inicial com A CHAVE DO SOL, deu-se através de um amigo roqueiro, que viu o anúncio do show da Chave na frente do bar "Deixa Falar", e por curiosidade falou para mim : "Vamos entrar ! Entramos e por coincidência o pessoal da Chave estava lá dentro, e voltamos mais tarde para o que foi o primeiro show d' A CHAVE DO SOL. De cara eu gostei do som, que mesclava covers e algumas poucas músicas que fariam parte de seu futuro repertório.
No aspecto convívio, A Chave se dava bem com a maioria das bandas. No tocante à música, A Chave destoava da maioria das bandas, inclusive pela criatividade e qualidade superior às demais bandas.
04 . Como surgiu a idéia de sua contriubuição no EP de
1985? Você já havia começado a compor com a banda antes da entrada do
Fran?
Julio: Eu ja escrevia antes da entrada do Fran, e minha participação deu-se exclusivamente por causa do Luiz Domingues, que sempre foi o meu incentivador, ao contrário do Rubens e Zé Luis Dinola, que preferiam mais o som instrumental. Aliás, a minha participação como letrista gerou ciúmes de alguns amigos do Rubens, por causa de minha poesia não seguir o esperado padrão estético, do começo, meio e fim.
05 . Sabemos que você que escolheu o Fran após ver um show do ANO LUZ e
saber que a banda estava decidida à encerrar as atividades. O que você
achava do ANO LUZ, tanto no instrumental como nas letras? Quais as
outras bandas que você assistiu show na época à procura de um vocalista
para A CHAVE DO SOL? Houve mais alguém que você achava ser indicado ao
microfone da Chave?
Julio: Não foram muitas bandas, a única que me lembro de ter asssistido a um show, além do ANO LUZ, foi o SALÁRIO MÍNIMO. A escolha do Fran foi puramente por sua voz, uma vez que só assisti àquele show, por isso não posso avaliá-lo. E para mim, ao contrário da grande maioria que preferia o Beto, eu sempre achei o Fran infinitamente melhor cantor.
06 . O saudoso Fran também escrevia música e
suas letras eram fortes e impactantes. Como foi então para você,
enquanto autor, essa convivência artística? Você acompanhou o processo
de gravação do disco? Você pode nos dizer como aconteceu? Mais, qual
suas impressões ao ouvir o resultado final? Finalizando, o que você pode
dizer da recepção do disco por parte da crítica e do público?
Julio: Eu achei ótimo ter um outro letrista, principalmente pela qualidade do teor político de suas letras, até porque os nossos estilos eram opostos. A convivência foi pouca, mas boa, pois eu era só um letrista, e ele além de letrista, cantor.
Eu nao acompanhei o processo de gravação do disco, apenas uma vez o Rubens mostou-me numa fita cassete o esqueleto da musica "Ufos" (era uma fita de pré-produção). O resultado final para mim foi bom, e engraçado, sempre que eu penso nesse disco, não são nas minhas músicas, mas sim da melhor música do disco, que é "Um Minuto Além".
Em relação à recepção, não posso dizer nada.
07
. O Fran deixou a banda no final de 1985, sendo substituido por um
cantor de voz e composições bem diversas das dele. Você participou dessa
escolha também? Em retrocesso, como você avalia esse processo da
substituição do Fran?
Julio: Eu não participei, e como já disse antes, A Chave vocal, não instrumental, o cantor é o Fran
08 . Nos outros dois discos d' A CHAVE DO
SOL, a saber, "The Key" e A "New Revolution" a sua poesia de vanguarda
não é encontrada nas letras. Por quê?
Julio: Porque já havia uma influência começada com o cantor Beto. Já havia uma direção naquela época para letras em inglês, eu ate poderia vertê-las, mas, eu acho que o meu tempo com A Chave, tinha sido o tempo anterior.
09 . Sua poesia só é
encontrada em música, após o E.P. de 1985, na PATRULHA DO ESPAÇO (disco
"Cronophagia", de 2000). Como foi seu envolvimento com o SIDHARTA? Você
trabalhou com outras bandas, ou existem outros grupos que você tem
vontade de trabalhar?
Julio: A primeira vez que vi o Luiz Domingues, foi num bar chamado 790 (pronunciava-se "Sete Nove Zero"), no Itaim Bibi (bairro da zona sul de São Paulo), um ano antes de surgir A Chave (numa apresentação da banda cover, "terra no Asfalto"). A partir da Chave, nos tornamos verdadeiramente amigos, e eu passei a acompanhar suas bandas. Eu acho que no Sidharta,o Luiz pode ter visto a possibilidade de uma nova parceria, o que ocorreu no CD "Cronophagia" (da Patrulha do Espaço). Não trabalhei com outras bandas, mas não vejo nenhum problema em fazê-lo.
10 . Encerrando, esse espaço para você.
Julio, o blog: A CHAVE DO SOL lhe agradeço que pelo música que você
legou a todos os fãs e pela entrevista. Um grande abraço!
Julio: Obrigado pela lembrança. Achei as perguntas boas, simples e diretas.
****
Quem tiver interesse em conhecer mais poesias do Julio Revorêdo, pode visitar o blog2 do baixista original d' A CHAVE DO SOL:
O blog: A CHAVE DO SOL agradece ao amigo e baixista Luiz Domingues, que se esforçou para que a entrevista ancontecesse, me colocando em contato com o responsável pela frase "a humildade é um caminho para felicidade superior". Aproveito para deixar um salve para a amiga, e antiga vizinha, Ana Castilho, que acompanha e incentiva o blog. Reitero meus agradecimentos a todos que fazem esse meu hobbie com o blog valer cada segundo de esforço. Até a próxima com mais material inédito.
Este post é dedicado ao amigão Augusto "Rock'n'Roll" Toloza, que viu muitos shows d' A CHAVE DO SOL em 1983/85 e agora está nos acompanhando no blog. Seu apoio vale demais, muitíssimo obrigado!!!!
Foi nos últimos dias de 2008. Eu conferia os comentários de meus vídeos no youtube. Acabavam de deixar um na música "Estrelas (Testemunhas Inválidas)" do ANO LUZ. Fiquei estarrecido com o conteúdo do mesmo e daí correi para comunidade A CHAVE DO SOL no orkut e infelizmente confirmei a notícia. O Fran havia falecido no natal do mesmo ano.
Eu começei a gostar d' A CHAVE DO SOL por causa do disco que o Fran gravou. Aquele E.P. é tão bom e significava tanta coisa, que me parecia que eu ia achar bom "qualquer coisa" que o grupo lançasse na sequencia. Anteriormente em 2008, após anos curtindo o "EP da Chave", eu havia descobrido que o Fran havia feito parte do grupo ANO LUZ, que havia acabado sem, então, deixar registros, e que eu montei um vídeo em homenagem; clip esse que passou a se destacar no youtube e foi seguido de muitas outras homenagens.
À época eu não escrevia no Whiplash.net, não existia nosso blog e fiquei triste do falecimento de um músico que eu tanto admirava ter passado em branco, batido e sem alarde. Esse sentimento que me levou nesse aniversário de quatro anos sem o Fran deixar esta singela homenagem.
Fran ao vivo com o ANO LUZ em 1984.
O Fran chamava-se Francisco Alves, nome de um famoso cantor dos anos 1930 e 1940. Sua entrada n' A CHAVE DO SOL, se deu por intermédio do poeta Julio Revoredo. Além dos dois ep's gravados, Fran deixou esposa, dois filhos e uma legião de fãs; todos exclusivamente com coisas boas a falar dele. Confira abaixo:
"Fran era um cara humilde, trabalhador e muito esforçado. Sua voz era de uma potência absurda e a rouquidão natural dava-lhe um diferencial, um autêntico"drive" na garganta. Sua performance de palco era dramática. Tinha um gestual forte e seu olhar fulminava a platéia. Gravou o segundo trabalho da banda, em 1985, o EP sem título que os fãs apelidaram de "Anjo Rebelde", a primeira faixa da bolacha. icou pouco tempo na banda. Entrou no final de dezembro de 1984 e em outubro estava de saída. Curta, porém marcante participação".
(Luiz Domingues, baixista e membro fundador d' A CHAVE DO SOL)
"Ao querido amigo Fran, que esteja descansando em um bom lugar.Ter sido baixista da banda ao lado do Fran foi um privilégio.Quantas vezes o Fran, mesmo com algum problema de saúde ía para o palco e mesmo assim cantava maravilhosamente. Era um profissional acima de tudo. Saudades do amigo que se foi. R.I.P.".
Osvaldo Júnior (baixista do ANO LUZ)
"Sobre o Fran, as principais qualidades dele eram a humildade, carisma e talvez ingenuidade; no bom sentido. Era uma pessoa muito simples e muito talentosa; com um talento natural para musica. Era fácil e proveitoso conviver com ele..."
(Olavo Jafet, guitarrista do ANO LUZ)
"Saudades do Fran!"
(Rubens Gióia, guitarrista e membro fundador d' A CHAVE DO SOL).
"O Fran foi a verdadeira voz d' A CHAVE DO SOL".
(Beto Cruz, vocalista que substituiu o Fran n' A CHAVE DO SOL).
"...estive com o Fran algumas vezes nos anos 80, cantava muito, tinha um vozeirão, voz rouca e potente, grande cara".
Billy "The Kid" Albuquerque (vocalista da banda MAMMOTH, no orkut)
"... num show ao ar livre no Parque da Aclimação, que eu descobri o vocalista que para mim seria o ideal para A CHAVE DO SOL. Era o show de uma banda chamada "ANO LUZ" e o vocalista, dono de uma voz rouca, potente e metálica, chamava-se Fran. Após o final do show, eu fiz uma sutil abordagem, expliquei-lhe a situação e dias depois ele entrou para A CHAVE DO SOL (...) Fran, aonde voce estiver, um minuto além vamos nos encontrar".
(Julio Revoredo, poeta e letrista das músicas "Ufos" e "Segredos", que foram gravadas no EP de 1985, d' A CHAVE DO SOL e na voz de Fran Alves).
Eu agradeço a todos que me ajudaram a montar esse tributo a uma das melhores vozes do rock pesado brasileiro, e que deixou boas energias e lembranças nas bandas ANO LUZ e A CHAVE DO SOL. Encerro essa homenagens fazendo votos junto ao amigo Luiz Domingues:
"Lá onde ele está agora, deve estar cantando uma letra do poeta Julio Revoredo que eu gosto muito e que num verso diz : "A Humildade é o caminho para a felicidade superior".
“Foi
engraçado, mas também bonito ver esse crescimento da banda de forma muito
intensa. Parece incrível, mas diante de tantas fases que A Chave do Sol teve,
essa foi uma das que mais curti, exatamente pela profunda esperança que sentia
quando esse quarteto se fechou com a entrada da Verônica”.
(Luiz Domingues em sua comunidade no orkut).
O título de nosso post com certeza irá chocar muitos, mas sim, A CHAVE DO SOL teve uma mulher como vocalista. Ainda que a "fase Verônica" tenha durado menos de um ano, do fim de 1982 ao começo de 1983, os registros desse momento foram totalmente disponibilizados recentemente na internet. O texto a seguir foi escrito pelo baixista Luiz Domingues em forma de relato, mediante a perguntas realizadas por MARINHO ROCKER e MARCÃO no orkut e copilado por Willba Dissidente. Este post também integra nosso esforço em traçar uma biografia da banda de maneira análoga a que os professores hoje lecionam História: por pontos específicos e não seguindo a linha temporal; por isso já escrevi sobre os anos sem nenhum membro oficial, A CHAVE som sol, e agora abordo os primórdios da banda. Aproveite a viagem e ouça a música ao final!
ASCENDENDO PARA A PRIMEIRA CRISE: OUTUBRO/1982 À ABRIL/1983. por Willba Dissidente.
Estávamos em Outubro de 1982, e o guitarrista Rubens Gióia lançou a idéia de que A CHAVE DO SOL precisava de um frontman. Ele então se lembrou de uma garota que ele havia visto cantando de forma amadora entre 1978 e 1980. No que pese a baixa qualidade do equipamento e o clima "de brincadeira", fortuito, da ocasião, Rubens convenceu os demais membros a fazerem uma audição com essa moça, que dizia ele "impressionava pela beleza física e a fantástica voz". Loira, olhos azuis, media mais de 1,80 e trabalhava como modelo do estilista Ney Galvão (à época rival de Clodovil). Quando então a garota começou a cantar, ganhou a vaga: "tinha uma voz incrivél, lembrando ETTA JAMES, MAGGIE BELL e TINA TURNER"! Ela
se chamava Verônica Luhr. Era uma moça simples, sem nenhuma sofisticação. De
certa forma, seguia a cartilha da maioria das meninas que ingressam nessa
carreira de modelo, ou seja, vem de famílias simples dos estados do Sul,
principalmente Santa Catarina e Rio Grande do Sul e são descendentes de
italianos, alemães ou de pessoas de países do leste europeu.
Verônica Luhr com A CHAVE DO SOL no Victoria Pub.
Vale ressaltar que nesta época A CHAVE DO SOL ainda tinha um set-list basicamente de covers. Já existia material próprio, que continuava a ser composto. Por isso não importou que o inglês de Verônica fosse "macarrônico". Não obstante , a banda incluiu "Proud Mary" (CREEDENCE)e "Acid Queen" (THE WHO), ambas na versão TINA TURNER, para que a moça soltasse a voz. Verônica tinha uma afinação excelente, porém nenhuma noção musical, era um talento bruto. "Arranjos, tonalidade, andamento", disso ela nada entendia. Porém, dando-lhe o acorde certo, ela cantava direitinho. Nas palavras do baixista: o vozeirão natural e bom ouvido eram suas melhores características.
O show inicial da nova fase, em 20/11/1982, foi no colégio Manuel
de Paiva. A irmã do Rubens, Rosana Gióia, estava junto fazendo os backing vocals. Foi um sucesso. Duzentas e cinquenta pessoas prestigiaram a apresentação, que teve uivos, aplausos e assédio no camarim, sendo a primera vez que o grupo se apresentou "para uma platéia que não fosse exclusivamente de parentes e amigos". Mais e mais shows foram pintando: "Verônica assumiria uma importância tão grande na banda, que por conta de sua
entrada, portas importantes se abririam logo a seguir, conforme esclarecerei
logo mais", declarou o baixista no orkut. “Começou
um boca-a-boca na rua, de que havia uma banda muito louca no Devil's, com um
guitarrista que tocava JIMI HENDRIX imitando a performance de tocar nas costas
e com os dentes do Hendrix; Um baixista alucinado que tocava com um chapéu
pontudo de bruxo e uma vocalista doida que cantava muito, mas sempre bêbada,
azucrinava no palco...”
Nesta época, o circuito roqueiro precorrido pela A CHAVE DO SOL era o Deixa Falar, Água Benta Bar e novíssima casa Devil's, de propriedade de Dona Sabine, na 13 de Maio (Bexiga). Lá a banda fez uma temporada logo após a apresentação no colégio. Esse foi o período mais divertido dessa fase, em princípios de 1983. Além das dificuldades técnicas, a Verônica apresentava outro empecilho, este mais grave. Para criar aquela coragem extra na hora de subir no palco, ela bebia e assim controlova o nervosismo frenético que a dominava. Não que sua voz fosse prejudicada, mas sua coordenação e trejeitos de palcos saiam avariados e ela falava 'besteiras' ao microfone; que levavam a situações engraçadas recordadas por Luiz Domingues.
Certa vez no Devil's Pub, embriagada, Verônica começou a imitar uma galinha, cacarejando palco! Noutra ocasião, naquela empolgação, ela disse que queria transar com todos os homens presentes... foi um rebuliço no bar! Teve ainda uma feita em que ela caiu de pernas pra cima após um movimento brusco. Porém Verônica não era a única elétrica no palco, já que A CHAVE DO SOL, nunca foi uma banda de ficar parada: Rubens tinha seus momentos hendrixianos, Luiz e Zé Luis extrapolavam no mise-en-scené, sem prejuizo à performance. O baixista também relembrou que "eram
comuns os gracejos masculinos, mas não podíamos evitar essas reações. O Rubens
que era mais esquentado, esboçava reagir, mas para não estragar as
apresentações, se continha em seu ímpeto protetor".
As coisa iam de vento em polpa, e A CHAVE DO SOL fechou uma temporada de dois meses no Victória Pub. Nesta casa, se apresentaram promissores nomes da emergente cena rock nacional, inclusive os cariocas do HERVA DOCE (de quem esse que vos escreve é fã), que á época haviam feito a abertura do show do KISS no Rio de Janeiro. Na primeira noite, nossos amigos tocaram no palco secundário, mas depois passaram a dividir a gig principal com o TUTTI-FRUTTI ou com o FICLE PICLE,
dependendo da escala da noite. Tudo estava perfeito, não? Porém, a escalada feito continha o germe da queda...
Ao final da temporada, a banda percebeu que a vocalista mudara de atitude para com eles. Passava a evitá-los no pós-shows, chegava atrasada nos ensaios e todas as noites. Uma conversa aconteceu. O consenso se fez que era uma fase pessoal, talvez
timidez por estar agora tocando num lugar badalado, com equipamento melhor,
pessoas famosas circulando pela casa , quem poderia saber? Pouco antes, houve um acidente no palco durante a canção "O Contrário de Nada é Nada", d'OS MUTANTES e por descuido do baixista, a vocalista foi acertada pela mão (headstoke) do instrumento de quatro cordas. O sabido é que moça outra dócil, agora se despedia secamente...
Luiz, Rubens e Zé Luis se surpeenderam quando Verônica os comunicou que doravnte, seu cachê viria separado do grupo, conforme ela já havia combinado com o diretor do Pub. "A
verdade é que haviam feito a cabeça dela para cumprir aqueles shows contratados
e se livrar de nós, partindo para uma carreira solo, com disco garantido, uma
nova banda contratada e ela como estrela. Inebriada por esses sonhos, passou a
nos hostilizar, dando como certa a sua aventura meteórica de sucesso
mainstream. Só fomos perceber a real motivação quando já era tarde demais e
então ela revelou seus planos referentes à sua carreira pós-A CHAVE DO SOL" relatou o baixista no orkut.
“Sendo
assim, quando acabou o contrato com o Victoria, ela saiu da Chave do Sol e nós
ficamos sem perspectivas imediatas, pois todo o embalo maravilhoso que havíamos
pego desde outubro de 1982, foi para o ralo, pois estávamos sem outras datas e
tendo que procurar às pressas um novo vocalista ou voltarmos ao formato de
Power Trio, tendo que reestruturar todo o repertório para o Rubens ou o Zé Luis
cantarem. Isso sem contar o prejuízo em perder uma vocalista do potencial
sensacional que ela tinha. Se tivéssemos prosseguido e com a sorte de
arrumarmos um produtor...”
Verônica alegou um resfriado e não compareceu no último show. Além dessa, o grupo ainda teve a desagradável notícia que seu contrato no Victoria Pub não seria renovado. Estávamos em abril de 1983 e A CHAVE DO SOL entrava em sua primeira curva descendente. Viriam três meses de aspereza pela frente, antes que altos da banda voltassem a sobrepujar os baixos...
CLIQUE NA IMAGEM ABAIXO para conferir o único registro de Verônica Luhr como vocalista d' ACHAVE DO SOL, um Pout Pourri de clássicos rock e da MPB, resgatados de gravações K7 pelo portal Orra Meu.
Considerações finais.
"Que
eu saiba, não aconteceu absolutamente nada com a Verônica nessa suposta
carreira solo com disco , gravadora e esquema empresarial. Posso estar errado,
mas nem disco ela gravou.
Tive a informação, mais ou menos em 1985, de que ela havia se casado com o
guitarrista Jean, da banda PERFORMÁTICA do Aguilar, o artista
plástico/compositor . E parece que teve dois filhos com ele e morava no
interior de São Paulo (Jundiaí, se não me engano)", resgata o baixista. Ele continua, afirmando que só em 1991 que ele foi ter outra informação da Verônica: "a vi no programa do Clodovil, na TV Gazeta, se
apresentando acompanhada de uma orquestra, no teatro de arame de Curitiba. Era
um tema bem careta, com arranjo cafona, mas ela cantou bem".
Foram períodos dificeis quando a vocalista se desligou do grupo e com isso os tirou de uma das melhores casas de show da época. Mágoas, ressentimentos ou similares? Não. "A
despeito dessas trapalhadas que ela aprontava por estar embriagada, cantava como
uma Diva do Soul, Blues e Rock'n'Roll", o baixista não receia em dizer. Luiz, ainda pondera e não poupa elogios à cantora de vida curta em sua banda, confira abaixo:
"A
Verônica esmagaria impiedosamente cantoras dessa cena que estouraram, como
Paula Toller, Virginie e Dulce Quental entre outras e só encontraria uma rival
à altura na Cássia Eller. Por outro lado, estávamos em 1982 e a Cássia só
estourou no meio/fim dos anos noventa, portanto, era outra geração".