2 de dezembro de 2014

Quarto capítulo da biografia.

Após perder sua distinta vocalista, e com ela o contrato numa badaladíssima casa de shows em São Paulo, A CHAVE DO SOL tentou evitar a crise e o retrocesso de tocar em lugares pequenos se auto-produzindo. Resultado da empreitada: o primeiro prejuízo da banda! Essa fase de vacas magras, porém, antecedeu a ascensão do conjunto, que muito trabalhou e se dedicou entre as intempéries. Confira a seguir o conto desses meses caóticos de segunda divisão da música que incluíram participações especiais do ROCK DA MORTALHA, PATRULHA DO ESPAÇO, R.P.M., preparação caseira de cola e indisposição com a Polícia Militar do Estado de São Paulo!

O texto abaixo é um condensado dos capítulos 45 a 67 da autobiografia na música, seção A CHAVE DO SOL, do baixista Luiz Domingues.

CONFIANÇA PESA MAIS QUE CACHÊ GORDO: ABRIL/1983 À JULHO/1983.

Acabara a badalação. Findara o gordo cache fixo. A Verônica fora embora levando o Victoria Pub e com ele o contrato de exclusividade. Liberdade! Que fazer com ela? Voltar a tocar em barezinhos menores e inflar o repertório de covers? Zé Luis Dinola, o baterista polivalente, teve uma ideia melhor: alugar o teatro do Colégio Piratininga, o qual ele estou e assim achar o seu próprio público! Situado na Avenida Angélica, o colégio (escola particular) possuía um teatro que era usado somente para atividades dos alunos. O auditório de 300 lugares, que após esse show seria conhecido como Sadi Cabral, não tinha cortinas cenográficas pretas para tapar as coxias. O acertado foi que a banda doaria essas cortinas ao colégio em troca de utilizar o espaço um dia. Promissor começo!




Reitero que o teatro era utilizado só para fins escolares, portanto a direção não fazia ideia de como organizar um show de Rock'n'Roll, ou peça aberta, portanto, nem sabia o que significava ECAD, OMB, alvará de funcionamento, taxas e impostos relativos ao trâmite burocrático de  se fazer um evento para o público de fora. Só realizando apresentações em casas noturnas, A CHAVE DO SOL também não!!! Só foi descoberto que tais coisas podiam significar impedimento 20 dias antes da data do show. Isso sem contar que cabia à banda comprar as tais cortinas, alugar luz e PA (equipamento de som), cenografia, divulgação, e, como seria a apresentação inicial sem a frontwoman... ensaiar novo repertório!!



Primeiro, vamos tratar das taxas governamentais. Luiz e Zé Luis foram os dois sozinhos na Prefeitura, de guichê em guichê buscar compreender e equacionar o problema. Tendo em vista o pagamento de altas taxas e os altos prazos para obtenção dos documentos necessários ("que colocavam o show em risco"), e considerando que a apresentação aconteceria (aconteceu) em um Teatro obscuro que nem existia oficialmente, nossos dois desbravadores das sanções públicas resolveram simplesmente abrir a mão de prestar contas à Prefeitura, Estado e Bombeiros! Foram tentados a dar uma "caxinha" a um funcionário apelidado pelo baterista de "Gordo FDP" até que decidiram também desistir do ECAD, pois a multa de 10% da bilheteria máxima do local excedia o valor da taxa cobrada. No que tange à Ordem Brasileiras dos Músicos (OMB) apenas o baixista Luiz Domingues era membro, o que seria usado como "moeda de persuasão" numa eventual emergência. Sabem o que acenteceu? Só o fiscal do ECAD apareceu!

"Esta aí uma coisa que não falha : o fiscal do Ecad aparece até em picnic familiar...bastou pegar um violão para entreter a família, e ele aparece querendo a lista do repertório para o seu relatório, e 10% da arrecadação bruta...".
Luiz Domingues.

No que tange à divulgação, o grupo disponha de verba apenas para imprimir alguns cartazes, mas não para cobrir a colagem de lambe-lambe. Zé Luis foi enfático: vamos fazer nossa própria cola! O processo da fabricação da cola era demorado e transformou a cozinha da casa do Rubens numa fábrica. Era necessário esperar à noite, após a família do guitarrista se recolher e as empregadas domésticas da casa encerrarem o expediente (mediante acordo com Maria, a chefa das empregadas, que a cozinha seria encontrada por elas na manhã tão limpa quanto foi deixada a noite). Era usado polvilho azedo, água fervente e um pouco de sal grosso. "Infelizmente, aquilo tinha um odor insuportável, sendo uma gosma fétida e nojenta, que causava náuseas",  julgou Luiz Domingues. Outros inconvenientes dessa cola é que ela respingava no carro, deixando a roupa de todos com cheiro acre. A cola profissional era mais grossa, menos líquida, de maior eficácia. Na primeira noite, a situação foi difícil, já nas posteriores, o processo de obtenção do grude foi aperfeiçoado. Felizmente, não era muito material a ser afixado.

"Saíamos para a rua por volta de meia-noite, com latas de tinta, improvisadas como vasilhas desse líquido asqueroso e o Zé Luis providenciou cabos de vassoura para adaptá-las às broxas de pintura de paredes, como ferramenta na aplicação. Seguimos nós três, no carro do Rubens e uma ou outra noite, tivemos ajuda de amigos abnegados, seguindo em outro carro. Mas o grosso do trabalho foi executado por nós mesmos (...) E assim foram noites e noites, tornando essa produção cansativa, pois enfrentávamos a burocracia de dia, ensaios e outros detalhes de produção".
Luiz Domingues.

Não propriamente para divulgar o vindouro show de reestreia, mas no intuito de "marcar" o nome da banda, A CHAVE DO SOL começou a se valer de pichações. Após colar os cartazes, o grupo saia e pichava o seu nome em muros dos bairros da Zona Sul (Saúde, Ipiranga, Vila Mariana); objetando posteriormente que essa divulgação abarcasse toda a capital de São Paulo. A pichação perto da estação de metro da Vila Mariana foi a mais resistente, durando até 1986. A última dessas ações se deu na companhia do poeta Julio Revoredo. A quadrilha foi pega em flagrante por uma viatura!!! Por sorte, os policiais foram condizentes com os jovens, somente revistando e confiscando as latas de spray, sem condução à delegacia. Foram alertados, contudo, que seriam autuados na reincidência.

"De fato, não foram poucas as vezes que pessoas me falaram terem visto tais pichações nesses muros e depois que a banda começou a ficar famosa, após termos começado a aparecer na TV, muitas pessoas contaram-me que viam essas pichações, mas não faziam a menor ideia do que significa aquilo, mas depois que despontamos na mídia, começaram a associar tal manifestação abominável, à existência da banda".
Luiz Domingues.


Chegou o dia 30 de abril de 1983, sábado, a data do show! Antes das oito da manhã, o polivalente Zé Luis Dinola já estava pendurado, furadeira em mão, numa escada de pintor de paredes para colocação dos trilhos das cortinas. O visual do show foi optimizado por uma ideia de última hora de Rubens. Colar nas cortinas posteres de seu acervo pessoal com imagens fantásticas dos ilustradores ingleses Roger Dean (famoso por seu trabalho com o YES, URIAH HEEP etc) e Roadney Matthews (notório por seu trabalho com o MAGNUM, ASIA, THIN LIZZY etc). O pessoal do PA (alugado), trouxe consigo duas torres laterais com oito spots de 500, também alugadas, para cada lado do palco. Iluminação fraca, assim como o número do público presente: 65 pagantes, num lugar que comportaria 300 presenças.




Todo repertório autoral foi apresentado ao público, com o Rubens e o Zé Luis cantando. De covers, foram poucos, "ainda bem": "My My Hey Hey" do NEIL YOUNG, uma do JIMI HENDRIX EXPERIENCE e "Tenneage Love Affair" do RICK DERRINGER. Luiz Domingues, surpreendendo, cantou duas músicas: a autoral "Intenções" (que já foi citada na biografia) e "Jumpin' Jack Flash" dos THE ROLLING STONES. O público ainda era aquele espectro de amigos e parentes, tanto melhor para o jovem grupo que aprendeu nessa feita (a primeira experiência em teatro), o quão diferente é se apresentar de se apresentar numa casa noturna, sem deixar o público esfriar.



Essa foi, também, a primeira vez que A CHAVE DO SOL tomou prejuízo em show. O lucro líquido da bilheteria não foi capaz de cobrir metade das despesas. O que sobrava dos altos cachês do Victoria Pub foi indo embora... assim como a ilusão de ter-se formado um público espontâneo de admiradores do trabalho do grupo. A banda precisava se readaptar. E isso foi buscado de imediato. A própria irmã de Rubens, a Rosana Gióia sugeriu uma amiga como vocalista, que havia, inclusive assistido o grupo no Victoria Pub com a Verônica nos vocais.

"Atrás do Rubens, encostada como guitarra sobressalente, uma Fender Mustang que ele quase comprou nessa ocasião. Estava emprestada para ele testá-la e de fato, a usou em alguns momentos de shows que fizemos no Victória Pub", LUIZ DOMINGUES.
Seu nome era Soraya Orenga. Loira, muito bonita e com uma bela voz, certamente em condições de ser vocalista d' A CHAVE DO SOL, ainda que seu talento não fosse tão esplendoroso quanto da Verônica. Ela tinha cantando em duas bandas covers anteriormente, FERRO VELHO e ALHURES. Ela não se interessou muito pela banda, ainda mais no momento crítico em que ela se apresentava, só fez teste, mas ficou ainda um tempo em órbita do conjunto, tendo cantado backing vocals na música "Luz", do primeiro lançamento do conjunto (que foi gravado em janeiro de 1984). O grupo continuou tentando e chegou a outra vocalista, essa morena e chamada Regiane. Ela vinha das banda SUPER BASTIÃO, porém seu estilo era mais voltado para MPB de dinâmicas mais leves do que para o punch pesado do Rock'n'Roll. Ela desapareceu do circulo da banda de imediato após as audições.


Decididos a seguir, por enquanto, como trio, Zé Luis chegou ao ensaio explicando que encontrara seu amigo de longa data, o guitarrista Fernando Deluqui, que também estava com uma banda autoral; chamada IGNOSE, Deluqui propusera um pacto de ajuda mutuas entre as bandas, de se apresentarem juntos, buscarem shows uma para a outra. Os grupos se conheceram e encontraram um no outro pessoas jovens (os d'A CHAVE DO SOL era um pouco mais velhos), bem educados e com interesses em comuns. Aproposta funcionaria muito bem, se não um detalhe: o IGNOSE era uma banda PUNK!

"(...) no meio do furacão oitentista, a ultra segmentação de tribos era uma realidade indiscutível, e dentro dessa perspectiva de animosidades radicais, não era recomendável que uma banda Punk se apresentasse no mesmo show com uma banda de cabeludos hippies e de orientação setentista, por motivos óbvios e de nada importava dizer aos radicais xiitas, que as bandas eram amigas e se respeitavam mutuamente, e indo além, tinham pacto de colaboração".
Luiz Domingues. 

Tal cooperação, porém, nada vingou, só uma visita a um salão num bairro do Sacomã, próximo ao Ipiranga, arrumado pelo Rubens, que estava começando a abrigar shows de bandas autorais. Ambos os grupos não gostaram das instalações, do dono do lugar e concluíram que "dois ilustres desconhecidos" de apresentando num lugar de difícil acesso e com pouca estrutura ("parecia o salão do Cerasa") era prejuízo na certa. Já indo embora, os grupos perceberam que havia uma terceira banda ensaiando num sala ("com vedação de caixas de ovos"), pois os moços deste power trio saíram para fumar, descansar etc. O nome da banda era CRISÁLIDA e seu baixista e vocalista era muito conhecido na cena rocker underground de São Paulo, já tendo conseguido algum reconhecimento nos anos 70: Orlando Lui, do ROCK DA MORTALHA!! Como era período vespertino de um dia de semana, houve o convite para assistirem um pouco do ensaio, prontamente atendido. O som do CRISÁLIDA não era pesado como o ROCK DA MORTALHA (cuja densidade o fez ser apelidado de BLACK SABBATH brasileiro) e era mais anacrônico que A CHAVE DO SOL; pois buscava evidentemente inspiração no período setentista do RUSH, Não obstante o entrosamento e qualidade, sem chances de sobreviver naquele underground hostil.



No que tangue ao IGNOSE, após poucas ligações o contato se desfez e o grupo ruiu. A CHAVE DO SOL nunca mais os viu, até que, em 1985, eles reconheceram o Deluqui como guitarrista do R.P.M., que acabará de mega estourar na mídia!! Luiz Domingues já sabiam da banda, "sonoridade de plástico, com os seus membros usando visual de dândis e fazendo caras & bocas de artistas metidos a "avant-garde", que se apresentava em bares ainda mais underground que os os d' A CHAVE DO SOL, como o Madame Satã, mas nunca imaginaram que seu antigo colega estava vivendo esse embalo. Já pensou se o pacto de cooperação tivesse sobrevivido ao IGNOSE?  Em se tratando do CRISÁLIDA, o grupo também logo acabou. Contudo, Orlando Lui formaria outra banda, o GOZOMETAL, se adaptando à estética oitentista e passaria a conviver bastante com A CHAVE DO SOL no futuro.



Procurando mais lugares para divulgar seu trabalho, a banda começou a ensaiar uma série de covers, com Zé Luis e Rubens dividindo as vozes e, ainda em maio, gravou uma demo caseira e fez um release de divulgação. A demo era precaríssima e o portfólio indicava as bandas anteriores, shows no Victoria e uma matéria de jornal. Novamente, a ideia era procurar um meio-termo entre o Cafe Palhetas e o Victoria Pub (ver capítulos anteriores). A grande maioria dos bares nem se dignava a responder. Um deles, o Calabar, que ficava em Cerqueira Cesar, ao lado da Av. Paulista, porém solicitou que o grupo viesse buscar seu material, pois NÃO seriam contratados. Seria um gentiliza muito grande do barzinho, não? Não! Além do material grafico (release) estar todo rabiscado, ainda gravaram um jogo do Santos Futebol Clube (com gol do Serginho Chulapa) por cima!




Esperando respostas dos bares, ele se lembraram: o cara do VAN HALEN! Esse moço, cujo nome perdeu-se realmente trabalhava na produção que agora trazia o KISS ao Brasil. Claro, A CHAVE DO SOL ainda estava muito começo e sem condições (sem ser conhecida do público) para tal evento internacional, mas resolveram tentar. O sujeito foi muito legal, pois, ainda com a negativa deu de presente para o Rubens cerca dez ingressos para o grande concerto internacional. Um outro contato relevante desta fase foi com o Festival de Iacanga, com grandes nomes do Rock e MPB. Novamente, não receberam resposta. A resposta que veio foi do programa "A Fábrica do Som", da TV Cultura, que trataremos em detalhe no capítulo a seguir. Por agora, basta dizer que A CHAVE DO SOL foi muito bem tratada pela produção do programa ("o que é raro nesse meio") quando da entrega do material e a ligação confirmando participação com data e horários para o soundcheck, era - até então - a melhor coisa que já acontecera à banda.



O astral subiu muito e a banda ainda tinha a apresentação do "Morro da Lua" a cumprir, no dia 24 de junho. Proposto inicialmente por um fã de QUEEN, que era sócia do Freddie Mercury, que eles conheceram no Victoria Club e que era dona de uma pista de Motocross. Essa apresentação começou com a ideia d' A CHAVE DO SOL fazer as vozes de Deacon, May e Taylor para o fã cantar como seu ídolo. Um ensaio aconteceu e não funcionou. O moço, chamado Fábio, propôs então um show com dublagem, já que não houve química entre a banda e ele como vocalista. Diante da recusa, veio a oferta que se tornou realidade: um show noturno d' A CHAVE DO SOL, num lugar sem iluminação, em meio a exibição de motos. "Achamos em princípio, uma bizarrice, mas sem perspectivas melhores e achando que poderia ser um agito interessante, topamos a loucura. Ele se prontificou a providenciar um gerador para suprir as nossas necessidades de equipamento e assim, aceitamos tocar, pela bilheteria do evento", recorda Luiz Domingues em sua autobiografia.


Na inexistência de fotos dessa apresentação no Morro da Lua, outra do Colégio Piratininga.
No dia do evento, pleno inverno e descampado, a banda teve de ir de tarde para conseguir montar tudo ainda com claridade. O pequeno P.A. de ensaio, o gerador arrumado pelo Fábio e como palco... a carroceria aberta de um caminhão... como iluminação, faróis de carros! Muitas quedas, colisões e manobras malucas, e perigosas,  rolaram no escuro, agradando da banda somente o Zé Luis (que é fã dessa ceara de esportes radiciais), enquanto o grupo esperava para se apresentar. Dado o sinal verde, cerca de 300 pessoas pararam para assisitr A CHAVE DO SOL! Os motociclistas não pararam, dando rasantes sobre a banda e a platéia! Como o som se dissipava muito (pois era pouca potência para um lugar muito amplo), foram privilegiadas as músicas instrumentais, já que só que estivesse bem na frente conseguiria ouvir com mixagem audível. Não obstante todas as dificuldades técnicas, o público que assistiu ao show aplaudiu bastante. Não foi possível desmontar o palco de madrugada, tendo de voltar na tarde seguinte, ainda mais porque os motociclistas queriam liberar o caminhão, que ficou no meio pista, jogando as motos como pressão. Um dos roadies, amigo do Rubens, havia ido ajudar com uma calça de veludo branca... e capotou na lama carregando a caixa de PA.... o que aconteceu com a calça? Enfim, foi um show sem condições técnicas, mas com muitas curiosidades e peculiaridades na carreira do grupo.

"Outro show bacana foi no Morumbi, numa pista de moto cross chamada Morro da lua.. Fazia muito frio, tocamos em cima de um caminhão... A certa altura os malucos achavam que, na neblina. As motos eram ets pousando...".
Rubens Gióia.

Novamente, a figura do PATRULHA DO ESPAÇO, na pessoa do Júnior cruza positivamente a trajetória d' A CHAVE DO SOL. Ele convidará a banda amiga para as duas primeiras apresentações desde o show do VAN HALEN, quando este sofrera um acidente (janeiro de 1983) que o deixara até sem poder tocar. A primeira feita, foi numa casa noturna em Santos, um tanto quando desconcertante. Se chamava HEAVY METAL, era frequentada pela jovem burguesia do litoral, não os rockers, e antes do Hard Rock da PATRULHA rolou um show intimista de M.P.B. do violinista FILÓ! O lugar contudo, por ser na avenida da orla, e adaptado de um cinema (com mesas onde ficariam as poltronas) gerava excelente acústica, assim como adequados palco, camarim e coxia. A ideia era conhecer o gerente do local e tentar encaixar A CHAVE DO SOL na agenda da casa; o que não funcionou. O segundo convite, era para ser a banda de abertura de um mega-show da PATRULHA DO ESPAÇO em Limeira, interior de São Paulo!



Às seis da manhã de 09 de julho os dois conjuntos saíram num ônibus fretado (alugado da banda de bailes PHOBUS) da Barra Funda! Além de toda excitação de viajar com uma banda grande, com equipe, roadies, muito equipamento de P.A. e iluminação, matéria publicada no jornal da cidade e expectativa de ginásio lotado, era o primeiro show d' A CHAVE DO SOL fora de São Paulo... e o que eles não sabiam, seria o melhor show da carreira até então! Após o soundcheck, feito no esquema que quem toca por último arruma o som primeiro, uma multidão tomou o clube Gran São João. A contagem de bilheteria era 2500 pagantes, mas os Luiz Domingues especula que eram 3500 pessoas dentro do lugar. As autorais foram "Luz", "18 Horas", "Atila", "Intenções" e "Utopia". De covers, rolaram "Tie Your Mother Down", QUEEN, "Hey, hey, my, my", NEIL YOUNG, "Blue Wind", JEFF BECK, "Blue Suede Shoes", CARL PECKINS e "Purple Haze" e "Foxy Lady", do JIMI HENDRIX EXPERIENCE.

O público reagiu muito bem à banda desconhecida, com picos de euforia no solo de bateria (!?!) do Zé Luis, no malabarismo Hendrixianos do Rubens, mais inusitado ainda, no solo de baixo de Luiz! Havia um grupo isolado de 20 pessoas gritando "Pauleira, Pauleira" nos intervalos das músicas, que mudaram o coro para "debulha, debulha" durante esse último! O próprio Júnior deu sinal para a banda tocar mais após a meia hora acertada esgotar, levando o show à duração de 40 minutos. A CHAVE DO SOL não ganhou cachê por essa apresentação, porém lucrou algo que dinheiro algum dá: confiança!



É da gravação desse show que foi resgatado o áudio do promo-video de "Intenções". O show todo foi registrado, existindo um projeto do baixista Luiz Domingues, de um dia disponibilizar o show todo, não obstante a qualidade precária. A PATRULHA DO ESPAÇO recebeu comedidamente A CHAVE DO SOL após o show e fizeram sua apresentação de maneira apreensiva, notadamente pelo momento que viviam de voltar agora à ativa.

"A oportunidade de fazermos um show de condições boas e para um grande público, nos possibilitou uma grande confiança para enfrentarmos o público do Sesc Pompéia, três dias depois e isso seria vital para uma mudança radical na nossa carreira, doravante".Luiz Domingues.

Após voltarem à Barra Funda e se despedirem, A CHAVE DO SOL voltava triunfante, confiante e esfuziante para o compromisso que acontecera na quarta-feira posterior a esse sábado. Apontamento esse que se repetiria e os faria famosos. A FÁBRICA DO SOM e seus desdobramentos, no próximo capítulo da biografia d ' A CHAVE DO SOL!






24 de novembro de 2014

Ano Luz: conheça bandas com mesmo nome que vieram depois.


 Fran Dias, vocalista d' A CHAVE DO SOL entre 1984 - 1985, gravando o EP "Anjo Rebelde", teve uma outra banda chamada ANO LUZ. Grupo anterior ao que o eternizou,  o ANO LUZ encerrou atividades sem deixar registro oficial, voltando a  ser falada entre os rockers nos anos 2000, quando o vídeo de "Estrelas (Testemunhas Inválidas)" ganhou destaque no youtube. A demanda pelo conjunto foi tal que o único EP gravado pela banda foi liberado para download gratuito e existe o projeto de recuperação de um bootleg registrado no Teatro Lira Paulistana na fase final do ANO LUZ.

Porém há muito mais sobre o que falar desse grupo seminal que só teve um ano de duração. Uma curiosidade impressionante, é que, até onde apuramos, existiram duas outras bandas brasileiras chamadas ANO LUZ!!! Vamos as conhecer!

O ANO LUZ DA NOVELA.



O primeiro homônimo do ANO LUZ (de Heavy Metal), é uma banda de Pop Romântico, que era fez parte da trilha sonora nacional da rede globo TRANSAS & CARETAS.  O disco que registra as músicas do programa ainda incluía entre ícones da MPB, nomes bem conhecidos dos roqueiros como HERVA DOCE e ULTRAJE À RIGOR. Não obstante os músicos do homônimo serem bem competentes e produzidos, sumiram tão logo a novela global saiu do ar; nos dando a entender que eles começaram depois do ANO LUZ "metal" e encerraram as atividades antes.



Ainda no pique do sucesso que foi TRANSAS & CARETAS (cujo enredo incluí uma mãe que faz uma cirurgia que a rejuvelhece 20 anos tetando se aproximar dos filhos; um que é todo moderninho e outro que é monarquista e possuí uma escrava -- ??!?!?), o "Ano Luz da novela" lançou um compacto simples com as músicas "Eterno" e "Realegrar" antes de desaparecer.

Confira a faixa "Eterno":
http://www.mediafire.com/?3npe82d40u33wsd


A ALIANÇA DOS TEMPOS

Um edição especial da revista Show Bizz chamada "Heavy", do começo de 1987 e que falava sobre o final do ano anterior, registrou o segundo homônimo do ANO LUZ. Reparando o destacado na imagem abaixo, lesse que o ANO LUZ tocou com o GOLPE DE ESTADO e HARPPIA com o Percy nos vocais... mas espere! Quando o ANO LUZ acabou, ao final de 1984, a primeira banda ainda nem existia e o Harppia ainda se chamava AEROMETAL. O texto ainda gerava confusão pois esse ANO LUZ fazia uma "ópera Hard Rock" e assim como o verdadeiro, também tocou na Praça do Rock.




Infelizmente, a curtíssima resenha não dá informações de quem eram os músicos desse ANO LUZ e qual seria o estilo de Rock Pesado deles. Tal conhecimento só pode ser obtido por meio de uma nota encontrada na edição número 24 da Revista Rock Brigade, de 1987. Pela leitura desta, concluímos que o terceiro ANO LUZ foi formado por músicos desconhecidos (exceto pelo tecladista), que acabou sem registro fonográfico. Ainda que o grupo tenha se apresentado na Praça do Rock e feito uma temporada enorme, 07 shows, no Centro Cultural de São Paulo (lugares grandes), parece que as únicas lembranças registradas da banda estão em quem esteve nesses shows e nas linhas que apresentamos escaneadas.

























E sim, o tecladista, Fábio Ribeiro, é o mesmo que posteriormente faria parte da fase final d' A CHAVE DO SOL, quando o grupo se chamava A CHAVE, antes de conhecer fama e reconhecimento no ANGRA.

Pedimos ajuda de quem possuir material ou qualquer informação adicional sobre essas bandas, pois o propósito é sempre fazer crescer o acervo acerca do Rock Pesado brasileiro.

Encerramos aqui nossa viagem por essas curiosidades acerca do ANO LUZ. Espero que todos tenham apreciado o passeio!

Nota do autor: é impossível existir, ou haver existido, qualquer outro grupo chamado A CHAVE DO SOL. Seria muita coincidência descobrimos homônimos de um nome tão original e diferente (e com exposição muito maior).

11 de setembro de 2014

Participação em comercial da Mesbla em 1986 junto com outros artistas da cena oitentista.

Em 1986, a marca Mesbla resolveu se desmembrar em outras cinco grifes. Uma delas, chamada Alternativa resolveu investir no Rock. Para isso, promoveu alguns shows de rock'n'roll pelo Brasil e gravou um comercial de lançamento (em 35 mm) para a televisão onde alguns músicos militantes da cena rocker de São Paulo atuaram como figurantes. Entre eles, A CHAVE DO SOL!

Confira abaixo!



"Dá para ver bem o Zé Luiz Dinola (tocando baixo, aliás o meu...), e o Rubens Gióia. O Beto Cruz ficou mais discreto na edição final.Eu não participei", conta o baixista Luiz Domingues ao blog: A CHAVE DO SOL. "Vale como registro exótico e obscuro pelo qual nossa banda passou, apesar de nesse caso, ter sido uma mera figuração e nada ter a ver com o nosso trabalho", avalia Domingues assistindo ao comercial quase 30 após a gravação do mesmo.

Produzido pela TV Center do Rio de Janeiro em 11 de agosto de 1986 e filmado no Sesc Pompéia, São Paulo, o comercial tem como banda sonora a música "A Moda Muda o Mundo", composta por Bernardo Vilhena (poeta, compositor de vários sucessos como "Menina Veneno" e "Corações Psicodélicos") e Ricardo Barreto (ex- guitarrista BLITZ),  que segue a cartilha do Pós-Punk que dominava o mainstream naquele período dos anos 1980.

Posteriormente, a marca Alternativa passou a se chamar Alternativa Nativa, sendo sua única ligação com A CHAVE DO SOL a propaganda acima.

11 de agosto de 2014

Luiz Domingues e Rubens Gióia juntos tocarão juntos dia 13/08/14 em SP.

Conhecido por ser um estabelecimento de Gafieira e Samba, o Magnólia Villa Bar dedica as suas noites de quarta-feira ao Blues e ao Rock'n'Roll. Trata-se do projeto Magnólia Blues Band Convida. A banda, formada por Alexandre Rioli (Piano), Kim Kehl (Guitarra e Voz), Luiz Domingues (Contra-Baixo) e Carlinhos Machado (Bateria), recebe uma convidado especialíssimo nesta semana. Trata-se do guitarrista e vocalista Rubens Gióia, membro original d' A CHAVE DO SOL.




A jam session é uma oportunidade única aos fãs da banda de Hard Rock, pois será a segunda vez desde 1987 que o baixista e o guitarrista originais d' A CHAVE DO SOL (ambos também foram. em épocas diferentes, da PATRULHA DO ESPAÇO) , subirão juntos no palco. A outra ocasião foi no começo desse mesmo ano, em razão do tributo ao saudoso Hélcio Aguirra, guitarrista e membro-fundador das bandas HARPPIA e  GOLPE DE ESTADO. O show, com dois terços d' A CHAVE DO SOL original, só faltando o baterista José Luis Dinola, promete fazer o meio de semana inesquecível aos rockers.

Para saber mais sobre o projeto Projeto Magnólia Blues Band Convida assista a esta 
entrevista do programa "Rock On The Road", de Anete Santa Lúcia:
 https://www.youtube.com/watch?v=pnf3lbJqB8g


Rubens e Luiz em show do KIM KEHL E OS KURANDEIROS, sexta-feira, 08 de agosto de 2014.
Serviço:

Blues & Rock com RUBENS GIÓIA na MAGNÓLIA BLUES BAND.

Quarta-feira, 13 de agosto de 2014.
Funcionamento do bar: das 18:00 às 02:00.
Endereço:Rua Marco Aurélio, 884 - Vila Romana - São Paulo - SP

Valores:
R$ 15,00 (com reserva até a véspera - H ou M)
R$ 20,00 (com reserva até as 16hs do dia - H ou M)
R$ 25,00 (sem desconto - H ou M)

Faça sua reserva pelos telefones (11) 3463-4994 ou (11) 96341-4193.

4 de agosto de 2014

Terceiro capítulo da biografia da banda.

Escrito originalmente na primeira sexta-feira do mês de dezembro de 2012, o texto referente ao período de outubro de 1982 à abril do ano seguinte na biografia d' A CHAVE DO SOL foi revisado, ampliado, corrigido e ganhou adições massivas de imagens e informações novas. A fase Verônica Luhr teve esse tratamento, pois o primeiro texto foi feito exclusivamente com base na comunidade Luiz Domingues no orkut. A versão definitiva foi recheada com inúmeros relatos do baixista em sua auto-biografia, que está sendo contada no seu próprio blog.

Confira aqui mesmo no blog: A CHAVE DO SOL.

http://achavedosol.blogspot.com.br/2012/12/uma-mulher-no-vocal-da-chave-conheca.html

Luiz Domingues (de costas) e Rubens Gióia no Victoria Pub, 1983, casa de shows que teve A CHAVE DO SOL como artista exclusivo e de suma importância nesta fase do quarteto.
Com isso, seguimos para o quarto capítulo, que contará um tempo inóspito para A CHAVE DO SOL, até novas mudanças alterarem a maré em favor dos rockers... Aguardem!
*

10 de julho de 2014

Luiz Domingues: "gravei o disco de 1989 empurrando com a barriga".

William Kusdra, rocker responsável pelo site Disicplina Frustrada, realizou, em 20 de Junho deste ano, uma extensa entrevista com o Luiz Domingues, baixista e membro fundador d' A CHAVE DO SOL. Ao longo das 18 extensas respostas às bem sacadas perguntas, o blog: A CHAVE DO SOL foi citado. Como agradecimento, separamos as partes que consideramos fundamentais aos fãs da seminal banda de Hard Rock, que ilustramos com algumas imagens de nosso acervo.

A CHAVE DO SOL é uma banda super consagrada no cenário roqueiro brasileiro. Inclusive possui um blog onde conta a história da banda. Como foram os primeiros ensaios, os primeiros shows...Teve até uma participação especial do Percy Weiss em algumas apresentações. Conte como foram os primeiros momentos da banda.

Luiz:  Muita água passou por debaixo da ponte, antes que eu chegasse ao momento em que fundei A CHAVE DO SOL com o Rubens Gióia e Zé Luis Dinola. Nesse ínterim, eu havia crescido como músico e adquirido uma razoável experiência desde os passos iniciais de 1976 e em 1982, finalmente me achava apto para atuar numa banda autoral com propósitos sérios.
O começo da banda foi muito estimulante para mim. Era a valorização de cada primeira conquista, que era forjada na raça e determinação da banda, focada em seu objetivo.

De fato, o primeiro vocalista da banda foi o Percy Weiss, mas como convidado especial. Ele fez apenas os dois primeiros shows, e dali em diante, seguimos a nossa trajetória, tendo momentos em que assumimos o formato Power Trio ou no quarteto, com a presença de vocalistas. Além do Percy, tivemos outros quatro vocalistas na história da banda, em momentos diferentes : Verônica Luhr, Chico Dias, Fran Alves e Beto Cruz.

A banda teve fases muito boas no decorrer de sua carreira, mas confesso que a fase que mais gosto, é a desses momentos iniciais, entre 1982-1983, pela união, foco, garra e vontade de vencer que tínhamos. Claro que após os discos, exposição midiática e shows importantes, a banda alcançou vitórias expressivas e tenho ótimas lembranças de tais momentos, mas o período inicial é muito especial para mim, particularmente.


Luiz Domingues ao vivo com A CHAVE DO SOL em maio de 1984 na FAAP.
A gravação do primeiro disco da banda. Conte como foram os bastidores desse momento e como foi chegar a gravação dos álbuns seguintes.

Luiz: A gravação do primeiro disco d' A CHAVE DO SOL ocorreu em janeiro de 1984, no estúdio Mosh, em São Paulo, quando ainda ocupavam as dependências de um sobrado no bairro da Vila Pompeia, na zona oeste da cidade.

Não tínhamos muita experiência de estúdio nessa época. Eu havia gravado apenas uma faixa num disco de uma cantor de MPB, em 1980 e uma fita-demo do LÍNGUA DE TRAPO, até então. O Rubens havia gravado um compacto com a SANTA GANG, banda que geralmente abria os shows do MADE IN BRAZIL entre 1979 e 1983 e o Zé Luis só havia gravado fitas demo com sua ex-banda (CONTRABANDO, cujo guitarrista era o Tony Babalu, ex-MADE IN BRAZIL).

Mas tínhamos a nosso favor a precisão pelo esmero que tínhamos em ensaiar exaustivamente e o foco, que era total. Portanto, driblamos a inexperiência com tranquilidade, além do bom relacionamento que estabelecemos com o técnico do Mosh, um rapaz competente e solícito, que também se identificou conosco e muito nos ajudou nesse trabalho, chamado Robson T.S.

Já nos álbuns seguintes, foi muito mais tranquilo, com o amadurecimento da banda em todos os sentidos.

Com a saída do Rubens Gioia da banda, você continuou com nova formação e gravou um álbum como "The Key". Teve uma ótima repercussão mas não houve continuidade. Porque?

Luiz: A CHAVE DO SOL teve um desgaste interno muito grande por conta de termos nos iludido com as promessas vazias de um escritório de empresários que nos amarrou com um contrato de valores acachapantes. Estávamos num grande momento na metade de 1986, flertando com um voo mais alto, perto do mainstream, mas graças aos nossos esforços acumulados de quatro anos de labuta. Quando percebemos que os tais empresários estavam apenas lucrando com os contatos que nós já tínhamos, como uma sanguessuga surfista, sem nada fazer para agregar ou amplificar o "momentum", era tarde demais. Com isso, perdemos o embalo e bateu um desânimo muito grande em 1987, com conflitos internos bobos que eram perfeitamente administráveis, ganhando proporção maior do que o devido, minando-nos.

O Zé Luis foi pressionado fortemente pela família a investir num curso universitário e abraçar uma carreira tradicional e resolveu deixar a banda. Tentamos continuar, mas o clima estava ruim e assim gravamos o terceiro álbum, tirando leite de pedra, sem recursos, com pouco apoio externo e o clima ruim entre nós três sobreviventes.

Mas no final do ano, com o disco já sendo lançado, ficou insustentável a situação, pois o Rubens não quis mais participar, mas tínhamos compromissos de shows e TV para cumprir, já agendados, fora a dívida acumulada pela produção do disco, que correu por nossa conta, e sem apoio, portanto, não havia outra saída a não ser reformular a banda e prosseguir, nem que fosse só para saldar as contas.

Hoje em dia, eu lamento muito que tudo isso tenha ocorrido. Jamais quis que a banda parasse, tampouco reformulá-la com um line-up totalmente diferente. Indo além, na época eu considerei como continuidade, apesar de termos sido obrigados a mudar de nome pois o Rubens que tinha o registro oficial em sua posse, não permitiu que continuássemos a usá-lo.

Isso foi muito doloroso para mim, mas vendo hoje em dia, acho que mesmo sendo forjado a forceps, delimitou que A CHAVE DO SOL encerrara atividades e o que veio posteriormente, foi uma nova banda, ainda que identificada com a antiga, por laços artísticos.

O Beto Cruz teve um mérito extrordinário nesse processo pois liderou essa metamorfose. Confesso que estava exaurido em minhas forças e a ruptura com o Rubens havia minado a minha vontade de prosseguir, pois ficamos estremecidos dali em diante por muito tempo. Hoje estamos de bem, ainda bem e o amadurecimentos nos fez enxergar que ninguém traiu ninguém e jamais deveríamos ter parado, pela amizade e luta de tantos anos, mas simplesmente fomos vítimas das circunstâncias da época.

A despeito desse mérito incrível do Beto, que tomou toda a dianteira e reformulou a banda, eu nunca gostei do novo direcionamento que ela adotou posteriormente por conta da influência que os novos membros trouxeram. O som ficou calcado no virtuosismo extremado, com ranço de Heavy-Metal, e eu queria mais é voltar para as minhas raízes sessenta-setentistas.

Fui "empurrando com a barriga", gravei aquele álbum de 1989, mas não aguentei mais e pedi demissão.

Nada contra os novos membros, que são ótimos músicos e amigos legais, mas o direcionamento adotado nunca me agradou.

Luiz Domingues em um dos últimos shows d ' A CHAVE "SEM SOL" em 1989.
E a PATRULHA DO ESPAÇO como entrou na sua vida? Tocar ao lado de uma verdadeira lenda do rock brasileiro, o batera Rolando Junior, é um prazer enorme. Como foram esses tempos na banda. Foram 5 anos de Patrulha?

Luiz: Eis aí outra história longa...bem, aqui preciso exercer o poder da síntese, portanto, digo que após minha saída d' A CHAVE / THE KEY (a dissidência d' A CHAVE DO SOL), fiquei entre 1990 e 1991 sem uma banda autoral oficial e emendei inúmeros trabalhos efêmeros, projetos que não vingaram etc. Até que no início de 1992, recebi o convite do vocalista/guitarrista Chris Skepis para fazer parte de uma nova banda chamada PITBULLS ON CRACK, com proposta sonora e estética totalmente diferente de tudo o que fizera anteriormente na vida. Topei participar como um desafio pessoal e por lá fiquei até 1997, gerando um monte de histórias legais e com momentos até significativos, com exposição midiática, inclusive. Todavia, chegou um momento em que também me desgastei com a proposta (jamais com as pessoas, quer são meus amigos até hoje) e saí. E esse é o ponto inicial da Patrulha, embora na prática, a "nova" Patrulha só tenha se reunido para valer em 1999.

Isso porque eu resolvi montar uma banda 100% calcada na estética 60/70, sem concessões e/ou preocupações com a mídia, show business, mercado etc etc. O objetivo era fazer o som que curtia, voltando para 1968 e resgatando o molequinho que gostava dos THE BEATLES, JIMI HENDRIX EXPERIENCE e THE ROLLING STONES. Para essa empreitada com ares de "Haraquiri mercadológico", coloquei dois garotos imberbes e inexperientes, mas com um talento nato absurdo, que havia conhecido na minha sala de aulas (dei aulas de baixo entre 1987 e 1999), durante os anos noventa, chamados : Rodrigo Hid e Marcello Schevano. Era como se eu fosse um olheiro de futebol e descobrira num campinho, dois moleques, um chamado Neymar e o outro, Ronaldinho Gaúcho...

Mais que o talento nato de serem multiinstrumentistas, cantores, arranjadores e compositores, apesar da pouca idade e do anacronismo natural, eram doidos pela estética dos anos 60 e 70, sem que eu precisa-se "doutrina-los"...

Com essa dupla e a presença do meu velho amigo José Luiz Dinola (ex- A CHAVE DO SOL), passamos o fim de 1997 e o ano de 1998 inteiro ensaiando e compondo o material dessa banda que fora batizada como SIDHARTA.

Mas no início de 1999, o Zé Luis sentiu-se desconfortável pelo nosso radicalismo em soar retrô e não conseguindo nos demover dessa determinação em prol de ideias modernosas que queria introduzir, resolveu deixar a banda, infelizmente.

Sem baterista, mas com 21 músicas prontas e arranjadas na bagagem, fizemos uma lista de possíveis bateristas que se encaixariam nesse espírito retrô que queríamos. Claro que não haviam muitas opções nesse nicho assim fechado num ideal. Aí demos uma tacada ousada, convidando o Rolando Castello Junior.

Ele adorou o material e impressionou-se com a versatilidade e qualidade dos garotos, mas deu a sua "contratacada", nos demovendo da ideia de iniciar o trabalho como SIDHARTA, uma banda zero KM, sem contatos, sem apoio e sem dinheiro. Como PATRULHA DO ESPAÇO, já sairíamos com um nome de prestígio em mãos e seria mais fácil do que arrancar da estaca zero.

Dessa forma, trouxemos o material do SIDHARTA para a banda, ensaiamos os seus clássicos e assim colocamos a nave de volta no ar, com sangue novo. E o legal, é que o Junior embarcou no ideal e fez com que a Patrulha resgatasse suas próprias raízes setentistas, inclusive voltando a tocar músicas da época do Arnaldo, visto que Rodrigo e Marcello eram ambos tecladistas, também.

Luiz Domingues em foto que estampa a traseira do primeiro registro fonográfico d' A CHAVE DO SOL.
Foi um momento mágico para todos, portanto, e na minha autobio, conto com detalhes, pois propiciou um sem número de histórias. Aliás, fica o convite para ler a narrativa, no meu Blog 2, ou na comunidade Luiz Domingues do Orkut, que uso como plataforma de rascunho.

http://luiz-domingues.blogspot.com.br/
http://blogdoluizdomingues2.blogspot.com.br/
http://www.orkut.com.br/Main#Community?cmm=14081928

Conheça as bandas atuais do Luiz Domingues:

http://www.pedraonline.com.br/
http://www.reverbnation.com/kimkehloskurandeiros
http://www.reverbnation.com/artist/artist_songs/579876

Recomendamos a leitura da entrevista completa:
http://disciplinafrustrada.blogspot.com.br/2014/06/entrevista-com-o-musico-luiz-domingues.html

3 de julho de 2014

Fábio Ribeiro: "hoje é impossível ver Rock independente numa das principais emissoras do país".

Laura Gallotti, do site Brasil Metal História publicou, em 19 de junho de 2014, uma extensa entrevista com o músico Fábio Ribeiro. Considerado pelo site como o instrumentista menos lembrado nas bandas de rock, o tecladista tem carreira sólida nessa ceara complicadíssima, sendo mais lembrado pelas passagens pelo ANGRA e o SHAMAN, estando atualmente no REMOVE SILENCE. O blog: A CHAVE DO SOL foi citado na entrevista, por isso, como agradecimento, recortamos os trechos em o músico fala de sua passagem pela banda.

Confira o texto, chamado "Fábio Ribeiro: a busca pela verdade na música", integralmente, neste link:
http://www.brasilmetalhistoria.net/2014/06/fabio-ribeiro-busca-pela-verdade-na.html

Você participou da lendária banda de Hard Rock, A CHAVE DO SOL, que em 1988 passou a se chamar A CHAVE. Como foi a experiência?

Fábio: Foi uma época divertida. A CHAVE DO SOL foi minha primeira banda "profissional", que já tinha um público formado e certa estrutura. Entrei a convite de um dos roadies da banda, que estudava na mesma escola que minha namorada na época e havia ouvido uma demo da banda DESEQUILÍBRIOS, com a qual eu estava tocando após deixar o ANNUBIS. Eles estavam procurando um tecladista após a gravação do álbum “The Key” (1987). Eu nem sabia dirigir. Meu pai, também músico, sempre me apoiou e me levava aos ensaios. O primeiro show que fiz com eles foi no Teatro Mambembe em São Paulo, em dezembro de 1987, ainda com Rubens Gioia na guitarra e Ivan Busic (DR. SIN, ex-PLATINA, CHEROKEE etc), na bateria. Após a troca de formação, continuamos a viajar frequentemente. A banda também tinha um espaço razoável na mídia especializada e nos programas dedicados, na TV e no rádio. Foi uma experiência muito importante para o início da minha carreira, pois me ofereceram a oportunidade de começar bem cedo a aprender os truques da vida como músico profissional e os altos e baixos do show business underground brasileiro. Gravei um álbum com eles, “A New Revolution” (1989). Permaneci na banda até o final de 1989.

Fábio Ribeiro na época que ingressou para A CHAVE DO SOL.
Recentemente, o blog: A CHAVE DO SOL disponibilizou os videos completos do show no “Verão Vivo”, em 1988, no Guarujá, registrado pela TV Bandeirantes. Como era a recepção e a adesão do público a shows de Rock na época?

Fábio: Não creio que a recepção do público tenha mudado tanto assim. É uma coisa natural de qualquer pessoa absorver música de qualidade, desde que lhe seja apresentada. O problema está na extensão da onda de divulgação do estilo, que foi propositalmente encolhida a quase zero e que certamente reduziu este público drasticamente de lá para cá. A adesão diminuiu por esta razão. Eu não consigo visualizar hoje em dia um evento transmitido ao vivo em rede nacional por uma das principais emissoras do país com dezenas de bandas de Rock independentes, por exemplo. Mas vejo "artistas" dessa nova "música" brasileira recebendo cachês exorbitantes pagos com verbas públicas para animar eventos deste porte e simultaneamente promover arrastões e saques com sua ideologia pra lá de discutível. O que se fez com o Rock no Brasil, principalmente de uma década para cá, pode ser chamado de assassinato. Grandes, médios e pequenos estão sendo exterminados. Coisas incabíveis estão sendo esfregadas na nossa cara (...) Mas o show no “Verão Vivo” me traz ótimas lembranças. Quando A CHAVE mudou de formação, inicialmente entraram dois guitarristas - Edu Ardanuy e Theo Godinho -, fizemos alguns shows assim e depois somente o Edu permaneceu. Através dos anos participei de diversos projetos com o Theo, que faleceu recentemente. Um excelente guitarrista e grande amigo que deixou saudades.

Você também participou de outra grande banda brasileira de Hard Rock, o ANJOS DA NOITE, que teve como guitarrista em uma primeira fase o Edu Ardanuy, com quem você já havia tido contato por meio d' A CHAVE DO SOL. Como surgiu o convite para participar do grupo?

Fábio: O convite veio através do próprio Edu, que deixou A CHAVE para formar esta banda em 1989, ao lado de seu irmão, e também guitarrista, Atila e do vocalista Marco Sergio (Bavini), filho do cantor Sergio Reis. Permaneci na banda por cerca de um ano e meio. Foi uma experiência muito legal estar em uma banda que estava dando um passo além, para um reconhecimento pela grande mídia e por um público mais abrangente. Todavia, a carreira da banda foi como uma volta de montanha russa, pois o próprio estilo, o Hard Rock, já estava sendo literalmente engolido pelo Grunge lá fora e aqui no Brasil nunca teve força razoável para se tornar um estilo de música popular. Mas foi muito divertido enquanto o combustível do foguete durou.

A sua incursão pelo Rock progressivo pode ser sentida por meio da participação na banda paulistana VIOLETA DE OUTONO, que trazia um som mais psicodélico. Como foi a experiência?

Fábio: Toquei com o VIOLETA DE OUTONO entre 1997 e 2001, gravei vários trabalhos com eles, incluindo um disco ao vivo. Sempre gostei do clima da banda, desde que apareceram na cena nos anos oitenta, quando tiveram um bom destaque na mídia. Sempre os considerei mais ousados do que o que estava rolando na época, um som mais experimental, mas que ainda cativava os ouvidos mais simplistas por ser naturalmente agradável. Certa vez dividimos o palco em um festival, quando eu ainda tocava com A CHAVE DO SOL, mas viemos a nos conhecer apenas dez anos depois, em uma festa de Helloween na qual o Zé do Caixão fechou a noite com um show bizarro e um caixão de verdade foi sorteado entre os participantes. Fizemos diversos shows, muitas jams no estúdio e viajamos bastante. Um período muito agradável.

O blog: A CHAVE DO SOL tem em seu acervo outra entrevista com Fábio Ribeiro, concedida ao fã clube de ANDRÉ MATOS, em que o músico diz que se sentiu lesado por BETO CRUZ e que "A New Revolution" é seu pior registro. Confira abaixo:

http://achavedosol.blogspot.com.br/2012/04/fabio-ribeiro-tecladista-relembra-sua.html